Livros · Avenida São João

De Pastora a Rainha

Publicado 1944–1944

De Pastora a Rainha, de Cícero Marques, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, publicado em 1944, é a biografia dos últimos quarenta anos da Avenida São João — da rua Pastora à Rainha, como o título sugere.

O livro não é história factual com datas e citações, mas um mergulho na memória oral e afetiva: casas que não mais existem, episódios da vida rotineira de moradores, tipos populares, boemia e vida acadêmica. Passam por suas páginas o Preto Leôncio, os primeiros automóveis dos anos 1900, o Café Brandão, o Mercadinho, o Politeama, a Pensão Milano e a Escola Americana — retratos de uma São João que a avenida foi engolindo.

Resenha de Nuto Santana

Publicada no Correio Paulistano em 24 de dezembro de 1944:

“Não se trata de contos de fadas para crianças, nem de nenhuma aventura romântica, como talvez sugira o título deste livro. Muito pelo contrário, ‘De Pastora a Rainha’ não é nem mais nem menos do que a biografia de uma das grandes artérias da capital: a avenida de São João. Biografia, aliás, apenas dos seus últimos quarenta anos de existência. Como eu penso que ela nasceu ou foi nascendo aos acasos da geografia humana em 1817-1820, temos dela, em Cícero Marques, um terço da sua vida.”

“Esse terço deu-nos ele através de coloridos, boêmias, vidas domésticas e públicas, tipos populares, anedotas. É uma digressão, a traços largos, em que passa em revista homens e cousas. Conta o que viu. Conta os fatos de que a velha rua — a Pastora — foi testemunha e que, sem nenhum esforço, podemos situar, graças ao brilhante contista, em determinados pontos da hoje avenida — a Rainha.”

“Há ainda a notar a maneira fácil, o linguajar fluente, que dão relevo a tantos aspectos pitorescos. Cícero Marques não discorre com ênfase, citando datas, fazendo história; antes, recolhe da tradição oral, e principalmente das suas profundidades sensíveis, a alma esvoaçante de velhos tempos acadêmicos, de boemia e de esporte, que lá dentro do seu ser ficou ensombrada e quieta, tocada de um perfume meio doce e meio triste. É a memória das cousas que passaram mas que deixaram um traço de alegria ou de luz projetando-se indefinidamente em todos os novos ângulos dessa bela rua, que é a avenida de São João, e que, como os bandeirantes de outrora, marcha incessantemente no rumo do Jaraguá.”

— Nuto Santana, Correio Paulistano, 24 dez. 1944

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